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Gestão: As principais glosas do SUS: como evitá-las e proteger a sustentabilidade do hospital

Em um cenário de custos crescentes e recursos cada vez mais limitados, reduzir glosas é uma das estratégias mais importantes para melhorar o resultado financeiro de hospitais e clínicas que atendem ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A glosa ocorre quando um procedimento, exame, internação ou outro serviço prestado deixa de ser pago, total ou parcialmente, por inconsistências na documentação, erros de cadastro ou descumprimento das normas de faturamento.

Embora muitas vezes sejam vistas como um problema do setor de faturamento, as glosas normalmente têm origem em falhas de processos que envolvem médicos, enfermagem, recepção, auditoria, almoxarifado e administração.


As principais causas de glosas no SUS

1. Prontuário incompleto

Registros médicos incompletos ou ilegíveis comprometem a comprovação do atendimento realizado e podem levar ao não pagamento do procedimento.


2. Incompatibilidade entre procedimento e CID

O diagnóstico informado precisa justificar tecnicamente o procedimento realizado. Divergências costumam gerar glosas automáticas.


3. Erros na codificação dos procedimentos

O uso incorreto dos códigos da tabela SIGTAP é uma das causas mais frequentes de rejeições no faturamento.


4. Falta de autorização (AIH/APAC)

Procedimentos que exigem autorização prévia precisam estar devidamente aprovados antes da execução.


5. Cobrança de procedimento não comprovado

Todo procedimento faturado deve estar registrado e documentado no prontuário do paciente.


6. Permanência incompatível

Internações com tempo de permanência superior ou inferior ao previsto podem exigir justificativas clínicas consistentes.


7. Cobrança em duplicidade

Lançamentos repetidos são identificados pelos sistemas de auditoria e normalmente são glosados.


8. Dados cadastrais inconsistentes

Erros em informações do paciente, documentos ou registros administrativos podem impedir o processamento correto da cobrança.


9. Uso inadequado de OPME

Órteses, próteses e materiais especiais exigem rigor na documentação, indicação clínica e rastreabilidade.


10. Incompatibilidade entre exames, medicamentos e procedimento principal

Todos os itens cobrados precisam ter coerência com o procedimento realizado e com a evolução clínica registrada.


11. Altas, transferências ou óbitos registrados incorretamente

Falhas nesses registros comprometem a consistência administrativa da internação.


12. Ausência de laudos obrigatórios

Diversos procedimentos exigem laudos específicos para validação do faturamento.


Como reduzir as glosas

A prevenção começa muito antes do faturamento. Algumas práticas fazem grande diferença:

  • Padronizar protocolos assistenciais e administrativos.
  • Treinar continuamente equipes médicas e administrativas.
  • Auditar prontuários antes do envio ao faturamento.
  • Utilizar sistemas que reduzam erros de preenchimento.
  • Integrar assistência, faturamento e auditoria.
  • Monitorar indicadores de glosas por setor, especialidade e profissional.


Gestão baseada em indicadores

Hospitais com menor índice de glosas costumam acompanhar indicadores como:

  • Percentual de glosas sobre o faturamento.
  • Valor financeiro glosado por mês.
  • Principais motivos das glosas.
  • Tempo médio para recursos.
  • Taxa de recuperação das glosas.
  • Setores com maior incidência de erros.

Esses dados permitem identificar falhas recorrentes e atuar na causa do problema, reduzindo perdas financeiras ao longo do tempo.


Conclusão

As glosas não devem ser tratadas apenas como um problema do faturamento, mas como um indicador da qualidade dos processos internos. Quanto mais integrada for a gestão entre assistência, documentação, auditoria e administração, menor será o desperdício de recursos e maior será a eficiência financeira da instituição.

Investir em processos bem definidos, treinamento das equipes e monitoramento contínuo é uma das formas mais eficazes de preservar receitas e garantir a sustentabilidade dos serviços de saúde.

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